domingo, 3 de maio de 2020

Não faça de mim, não ainda


Alma de brio azul e linda pele,

De calor intenso e sexo sufocante.

Na altura do mais frio e errante

Homem procurou o que se repele.


Era o coração que lhe pertencia,

Jogado no mar escuro e profundo.

Nas impurezas de outro mundo,

Diferente daquele ao qual se via.


... não faça de mim, não ainda, 

Esse sofredor sem norte, iludido,

Por uma feição triste e linda.


Permita-me sucumbir ao desejo, 

Ao impulso de um fim temido,

Ao que me provoca outro ensejo.


(Pedro Araújo)

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