quinta-feira, 28 de maio de 2020

Os desejos cruéis e remetidos


Espero esse clamor pretendido
Pela arte na obra destemida. 
O voar por lugares onde a vida
É apenas o inicio do mal tido.

Espero tanto os beijos perdidos
As horas alegres de outros fatos 
As precipitações dos meus atos
Os desejos cruéis e remetidos.

Espero perder sem preocupação, 
O compulsivo jeito de pensar, 
O cair e o errôneo levantar.

... os abraços cheios de paixão,
Mas tudo isso ainda causa pena. 
Pois sem amor só a morte encena.

(Pedro Araújo)




segunda-feira, 4 de maio de 2020

É linda


O vento passa devagar por você.
Não entendo esse caminhar
Sereno que ainda me leva a te ver.
Talvez seja um impulso do ar.

Os redemoinhos varrem as folhas,
Elas sobem, dançam e se perdem.
No mundo vivemos de escolhas,
Mas até nisso acasos acontecem.

Eu observo a alegria em volta,
As abelhinhas nas flores diversas.
O sol brilha em visível revolta,

Com a beleza que tu dispersas.
Agonizante, ele se retira e ainda
Ao sair parece dizer: - é linda.

(Pedro Araújo)



domingo, 3 de maio de 2020

O Antiverso II

Observo um mundo perdido

Entregue aos colapsos 

De eventos anteriores.

Desse mundo espero paz,

Amor, sabedoria.

Eu espero desse mundo

O que espero de mim.

Mas de mim pouco entendo.

Talvez por isso

O mundo ande tão 

Complicado. 

O autoentendimento é difícil.

Para não dizer raro.

Um prato chique, cheio

De detalhes e ornados

Brancos. Vi isso

Em um belo cult. De fato,

O Globo tem o formato

Da minha cabeça.

Está repleto de coisas

Das quais quero me livrar.

Mas é difícil sair por aí

Dizendo que acabou.

Chega de cometer os mesmos

Erros. Sofrer as mesmas

Desilusões e chorar

Pelas mesmas horas.

Observo um mundo perdido

Em seus medos. Dos quais ainda

Me escondo por serem,

Fatalmente, os meus medos...


(Pedro Araújo)

Não faça de mim, não ainda


Alma de brio azul e linda pele,

De calor intenso e sexo sufocante.

Na altura do mais frio e errante

Homem procurou o que se repele.


Era o coração que lhe pertencia,

Jogado no mar escuro e profundo.

Nas impurezas de outro mundo,

Diferente daquele ao qual se via.


... não faça de mim, não ainda, 

Esse sofredor sem norte, iludido,

Por uma feição triste e linda.


Permita-me sucumbir ao desejo, 

Ao impulso de um fim temido,

Ao que me provoca outro ensejo.


(Pedro Araújo)