segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Apodrecido



O vento que move os teus cabelos
Sabe o quanto sofre o meu coração,
Mas finge que não vê os meus apelos
Zomba ainda da minha paixão...

Vento que passa sem uma emoção
Pelas esquinas vazias e sombrias
Da minha amargurada solidão...
Se soubesses de tudo, não ririas

"Meu covarde e constante inimigo".
Aqui nesse peito já se foi há tempos
O que esperas que tenha comigo.

... no lugar brilham os pirilampos
Que enfeitam o túmulo incerto
Da vida que tive de peito aberto.

(Pedro Araújo)

quarta-feira, 14 de maio de 2025

Infanto dos sonhos

De longe vinha sem piedade
Tomando tudo em sua volta.
Ainda triste e com pouca idade
Não entendia a sua revolta.
 
Ao refletir ná'gua sentia pavor.
Vinha ele do frio da noite,
Dos desejos partidos, da dor
Que povoa como um açoite.
 
... Ah, infanto dos sonhos.
Eu te digo que aqui tudo, tudo,
Se perde em dias risonhos.
 
Como num teatro sortudo
Onde viver é um ato perfeito,
De altos e baixos, de jeito...
 
(Pedro Araújo)

sábado, 15 de março de 2025

No céu os corvos sobrevoam apenas

...Engano-te com os meus lamentos
Em ilusões fáceis de serem notadas.
Escondo os meus sentimentos,
Quando me busca em noites caladas.

A lua vermelha no céu, as nuvens aí
A modelar todos os meus pensamentos.
Busco um poema que nunca escrevi,
No mais oculto dos meus alentos...

No céu os corvos sobrevoam apenas,
Vejo-me em cada canto, calado...
Contando comigo as minhas penas.

Que as letras desse texto dissimulado
Tragam paz a esta alma tão cansada.
Que por amor sofreu no fim d'alvorada

(Pedro Araújo)

segunda-feira, 22 de abril de 2024

Riscam os corvos os seus granidos

... Vai pela rua do sossego apenas
Em busca dos sonhos já perdidos.
Sopra o vento as minhas penas,
Riscam os corvos os seus granidos.

... No ar a natureza recita toda,
Os pensamentos que não possuo.
Vivo nas palavras do que acomoda
O espírito e a raiva que construo.

... Não mais impaciente e vazio,
Buscando em tudo essa verdade,
Nas longas noites que renuncio.

Vejo nas esquinas a minha vontade,
Aquilo que me falta e não dorme,
Levada pelo som triste e uniforme.

(Pedro Araújo)

domingo, 10 de março de 2024

Soneto:


"... Senhor, pai, e sempre atento
Ouça desse filho a voz sofrida.
Que segue errando pela vida.
Sem acertar em nenhum momento".

Traga paz às almas que se foram
E aos corações vazios e escuros.
Alimente, Senhor, os nossos futuros
Com as obras que nos dignificam.

Perdoe os meus inúmeros erros,
Proteja os meus pais e olhe
Por cada um dos meus filhos.

Conceda graça aos meus desterros,
Pois quem serve apenas colhe
E se afasta dos seus empecilhos.

(Pedro Araújo)


quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

Aqui nada importa, nada muda

... Amor que eu penso sem nada
Haver no peito. Sedento e vivo
Nos momentos da alvorada.
Qual é enfim o seu objetivo?

Já que nesse peito sem vontade
Tantos dias se foram ralos...
Observo em mim essa maldade
Que se revela pura ao olhá-los.

Aqui nada importa, nada muda.
O sol brilha apagado, e triste,
Por me negar sempre a sua ajuda.

Ah, Deus, o tempo ainda assiste,
Ao calejar lento dos meus temores.
Cruéis e caladas são as dores...

(Pedro Araújo)

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

Detido ao amor e seus objetivos



Em tristes passos vivo apenas
Iludido pelos sonhos amados.
Carente, colhendo duras penas,
Em ira com os olhos fechados.

Acorrentado pela sua ausência,
Triste, corrompido e sem saída.
Colho em mim essa resiliência,
De quem nunca amou na vida.

Caminho por entre sombras,
Em rítmos alegres e emotivos.
Ah, o coração e suas desonras,

Detido ao amor e seus objetivos.
Em tristes passos vivo somente,
A esperar o teu sorriso inocente.

(Pedro Araújo)